segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AQUI D'EL-REI


AQUI D’EL-REI

 

 

Aqui d’El-Rei , peixe frito,

Quem me acode se não eu grito,

Ameaça a  direita em tom aflito :

O orçamento dá mais ao pobre qu’ao rico!

 

O alarido que a direita está a fazer à volta do OE 2016, fez-me lembrar as duas primeiro linhas (frases de escárnio que eu ouvia em criança ) e levou-me a improvisar a quadra acima.

Também sobre o OE 2016, achei interessante a utilização da palavra ornitorrinco, certamente repescada do baú das lições de Ciências Naturais, utilizada por alguns comentadores, para alcunhar o orçamento ( como é bom ser culto ! E não se esqueçam do esterno- cleido- mastóideo !).

Todas as pessoas que suportam ou apoiam as ideias da direita e tem acesso aos meios de comunicação de social procuram amesquinhar o OE2016. Não lhes interessa o bem que ele vai trazer a uma parte da grande fatia da população que foi prejudicada pelas políticas praticadas pelo anterior governo, impostas ou não pela troika.

(Daqui, só se pode concluir, mais uma vez, que o benefício dessa parte da população, a que vai melhorar com o OE2106, não lhes interessa!)

O que lhes dói é que a política de transferir rendimentos dos que menos têm para os que mais têm está a ser interrompida. E que a política de reduzir pouco a pouco a acção do estado social na redistribuição de riqueza e na protecção dos mais fracos vai ser abandonada . E que a política de enfraquecer a posição dos trabalhadores face aos empregadores vai parar. Tudo pela vontade do governo do PS ( e dos que o apoiam )

Para isso, para denegrir o OE 2016, tentam demonstrar que ele introduz mais austeridade porque aumenta o imposto sobre a gasolina, o gasóleo e os automóveis, sobre o consumo de tabaco, sobre o imposto de selo para certas transações a crédito, sobre as comissões que os bancos cobram pela utilização de cartões de débito no comércio. E que estes aumentos são tão colossais como os introduzidos pelo ex-ministro das finanças, Sr. Vitor Gaspar ( esta é incrível !)

Felizmente também há economistas, articulistas e comentadores que vão demonstrando que os alarmes da direita não são mais que falsos alarmes. É evidente que a prova dos nove da bondade do orçamento vai depender da capacidade de ser cumprido ( sem recurso a  orçamentos rectificativos que era o paradigma da “exemplar” governação PSD+CDS ).

Estão também a ser agitados os pesadelos do aumento dos juros na obtenção de novos empréstimos e da classificação do país pelas agências de notação. Não admira que bancos, investidores e especuladores se agitem : na verdade eles têm sido os grandes promotores da transferência de rendimentos dos pobres para os ricos ( leiam p.ex. os autores como T. Piketty ou J. Stiglitz ), com a cumplicidade dos governos conservadores, e pensar que possa existir um governo democrático dum país, embora economicamente pequeno, capaz de os contrariar, e constituir assim um “mau exemplo”, deve deixá-los em transe !

 

15 FEV 2016

 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

NEO REALISMO E ESTADO SOCIAL

NEO REALISMO E ESTADO SOCIAL
Há dias, entrei numa livraria, como faço muitas vezes só para olhar os títulos, sem intenção de comprar nada, quando deparo com uma edição fac-similada dum pequeno livro ( pequeno no tamanho não no conteúdo ) dum dos mais relevantes escritores neo-realistas portugueses, Soeiro Pereira Gomes , falecido em 1949
Faz muito tempo que não voltava a ler textos de autores neo-realistas dessa época. Então o neo-realismo  era uma corrente artística fortíssima, no cinema, na literatura, na pintura que expunha duma  forma simultaneamente bela e horrível a miséria em que grande parte da população vivia. Em Itália consequência da guerra, em Portugal do regime político que então existia.
O livro chama-se “Refúgio Perdido” e tem 110 páginas em tamanho sensivelmente de A5. Contem uma entrevista com o Autor, contos, crónicas, algumas páginas do que viria a ser o romance “Engrenagem” – e o editor da versão fac-similada ,” A Bela e o Monstro-Edições Documentais”, juntou-lhe cópias da correspondência entre o editor original e a comissão de censura do tempo.
Essas poucas páginas bastam para deixar descrito o que era o miserável viver dos portugueses pobres, mesmo daqueles que tinham emprego!. Está lá tudo : a falta de assistência médica, a falta de protecção social, a falta de instrução, os baixos salários e até o egoísmo daqueles que tinham alguma coisa e não queriam repartir com os outros, mesmo em caso de aflição.
E não pude deixar de reflectir : COMO FOI GRANDE, ENORME A CONQUISTA CIVILAZACIONAL A QUE CHAMAMOS ESTADO SOCIAL.
 Infelizmente ainda não conseguimos eliminar completamente a miséria em Portugal, e muito menos no Mundo, mas tenho esperança que havemos de lá chegar.
O que eu abomino é a corrente egoísta de pensamento (  DE QUEM ESTÁ BEM INSTALADO NA VIDA ) que diz : Ah! Estado Social, muito bem! Muito bonito ! Mas só se houver dinheiro para isso! Há coisas mais importantes para gastar o dinheiro dos contribuintes!


7 FEV 2016