NEO REALISMO E ESTADO SOCIAL
Há dias, entrei numa livraria, como faço muitas vezes só
para olhar os títulos, sem intenção de comprar nada, quando deparo com uma
edição fac-similada dum pequeno livro
( pequeno no tamanho não no conteúdo ) dum dos mais relevantes escritores
neo-realistas portugueses, Soeiro Pereira Gomes , falecido em 1949
Faz muito tempo que não voltava a ler textos de autores
neo-realistas dessa época. Então o neo-realismo era uma corrente artística fortíssima, no
cinema, na literatura, na pintura que expunha duma forma simultaneamente bela e horrível a
miséria em que grande parte da população vivia. Em Itália consequência da
guerra, em Portugal do regime político que então existia.
O livro chama-se “Refúgio Perdido” e tem 110 páginas em
tamanho sensivelmente de A5. Contem uma entrevista com o Autor, contos,
crónicas, algumas páginas do que viria a ser o romance “Engrenagem” – e o
editor da versão fac-similada ,” A
Bela e o Monstro-Edições Documentais”, juntou-lhe cópias da correspondência
entre o editor original e a comissão de censura do tempo.
Essas poucas páginas bastam para deixar descrito o que era o
miserável viver dos portugueses pobres, mesmo daqueles que tinham emprego!.
Está lá tudo : a falta de assistência médica, a falta de protecção social, a
falta de instrução, os baixos salários e até o egoísmo daqueles que tinham
alguma coisa e não queriam repartir com os outros, mesmo em caso de aflição.
E não pude deixar de reflectir : COMO FOI GRANDE, ENORME A
CONQUISTA CIVILAZACIONAL A QUE CHAMAMOS
ESTADO SOCIAL.
Infelizmente ainda
não conseguimos eliminar completamente a miséria em Portugal, e muito menos no
Mundo, mas tenho esperança que havemos de lá chegar.
O que eu abomino é a corrente egoísta de pensamento ( DE QUEM ESTÁ BEM INSTALADO NA VIDA ) que diz
: Ah! Estado Social, muito bem! Muito bonito ! Mas só se houver dinheiro para
isso! Há coisas mais importantes para gastar o dinheiro dos contribuintes!
7 FEV 2016
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