terça-feira, 12 de abril de 2016

MARIO DRAGHI EM LISBOA



A convite do Sr. Presidente da República visitou Portugal e esteve presente no Conselho de Estado, onde falou, o presidente do Banco Central Europeu,  Sr. Mário Draghi.
Pelo que li nas notícias sobre o comunicado emitido ( não consegui ler na íntegra o texto original ), as suas palavras terão confortado antigos governantes e uma parte, minoritária, da sociedade portuguesa, mas não trouxeram nem alegria nem mais esperança à maioria dos portugueses.
De facto, a defesa das reformas (?) com que o anterior governo do PSD+CDS brindou os portugueses, atingindo sobretudo os mais pobres, os mais necessitados, os funcionários públicos, os reformado e todos os trabalhadores por conta de outrem, não pode ser entusiasmante para ninguém, a não ser para aqueles que passaram bem, e até melhoraram, nos últimos 4 anos. ( Porque, nunca é de mais repetir, os sacrifícios não foram igualmente distribuídos, mas afectaram muito mais os cidadãos de menos posses ).
Que reformas pensa o Sr. Draghi que foram boas e que é necessário não desfazer ?                                                                               A dos tribunais? A da colocação dos professores ? A das rendas de casa ? A dos escalões do IRS? A da ortografia oficial ? A da divisão administrativa do País ? A das  privatizações? A da legislação laboral?                                                                                                                                                                                                     Não me parece que aquelas mudanças tenham sido benéficas para todos e que não careçam de alterações                         
E que reformas pensa o Sr. Draghi que é necessário iniciar ?                                                                                                            A privatização da segurança social, será? O plafonamento do sistema de pensões, talvez                                                         A benefício das companhias se seguros e de outras instituições financeiras, sem dúvida.
E que reformas pensa o Sr. Draghi que é necessário aprofundar?                                                                                                    A da legislação laboral, permitindo despedimentos mais fáceis e com menores custos para os empregadores ? A da limitação ou mesmo banimento da contratação colectiva ? A da redução do IRC ? A não taxação das transações financeiras? A das privatizações ?                                                                                                                                                            A benefício das empresas e dos investidores e especuladores financeiros, claro.
Pelas palavras do Sr. Draghi, concluo que ele é adepto da minusculização do Estado, da perda dos direitos dos trabalhadores por conta de outrem face aos empregadores, da austeridade para a maioria e do bem-estar para uma minoria de privilegiados                                                                                                                                                                                       
   Nada foi dito, explicitamente, sobre o repúdio ou sequer o abrandamento da política de austeridade como factor dum desenvolvimento económico que beneficie todos, sobretudo os que mais precisam                                                                  
   Por isso não admira que a política do BCE de tornar acessível dinheiro barato aos bancos para que que estes possam alimentar a economia, não tenha resultado. Porquê? Porque os empreendedores não parecem interessados e não lhe pegam. E porquê ? Porque eles avaliam o mercado e verificam que não há procura. E porquê ? Porque devido às políticas de austeridade e baixos salários as pessoas na generalidade não têm dinheiro para alargar os seus gastos, embora possam ter muitas necessidades por satisfazer.
Em suma o pensamento do Sr. Draghi é o pensamento dum alto funcionário da UE capturado ideologicamente pelo poder financeiro.
NOTASAS FINAIS:                                                                                                                                                                                       1) A ideia do Sr. Presidente da República foi certamente muito bem  intencionada e em consequência tenhamos esperança que o Sr. Draghi tenha ficado a compreender melhor o que os Portugueses esperam da UE e que, para nós, as pessoas são mais importantes que o dinheiro – e que portanto a vida económica deve ser organizada primordialmente para as pessoas .                                                                                                                                                                                        2) Não estou contra, ´nem poderia estar eu que sou adepto da economia social de mercado,  que os empresários e os investidores não devam ou mesmo mereçam ser remunerados pelos seus investimentos. O que estou é contra a ganância, contra a subordinação do poder político ao poder económico/financeiro que tem provocado nas últimas décadas, segundo os economistas adeptos e não adeptos da economia de mercado, uma sistemática transferência de rendimentos dos pobres para os ricos, do trabalho para o capital.
Lisboa, 16 de Abril de 2016