A convite do Sr. Presidente da República visitou Portugal e
esteve presente no Conselho de Estado, onde falou, o presidente do Banco
Central Europeu, Sr. Mário Draghi.
Pelo que li nas notícias sobre o comunicado emitido ( não
consegui ler na íntegra o texto original ), as suas palavras terão confortado
antigos governantes e uma parte, minoritária, da sociedade portuguesa, mas não
trouxeram nem alegria nem mais esperança à maioria dos portugueses.
De facto, a defesa das reformas (?) com que o anterior
governo do PSD+CDS brindou os portugueses, atingindo sobretudo os mais pobres,
os mais necessitados, os funcionários públicos, os reformado e todos os
trabalhadores por conta de outrem, não pode ser entusiasmante para ninguém, a
não ser para aqueles que passaram bem, e até melhoraram, nos últimos 4 anos. (
Porque, nunca é de mais repetir, os sacrifícios não foram igualmente
distribuídos, mas afectaram muito mais os cidadãos de menos posses ).
Que reformas pensa o Sr. Draghi que foram boas e que é
necessário não desfazer ? A dos tribunais? A da colocação dos
professores ? A das rendas de casa ? A dos escalões do IRS? A da ortografia oficial
? A da divisão administrativa do País ? A das
privatizações? A da legislação laboral?
Não me parece que aquelas mudanças tenham sido benéficas para todos e que
não careçam de alterações
E que reformas pensa o Sr. Draghi que é necessário iniciar
? A
privatização da segurança social, será? O plafonamento do sistema de pensões,
talvez A benefício das
companhias se seguros e de outras instituições financeiras, sem dúvida.
E que reformas pensa o Sr. Draghi que é necessário
aprofundar?
A da legislação laboral, permitindo despedimentos mais fáceis e com
menores custos para os empregadores ? A da limitação ou mesmo banimento da contratação
colectiva ? A da redução do IRC ? A não taxação das transações financeiras? A
das privatizações ? A
benefício das empresas e dos investidores e especuladores financeiros, claro.
Pelas palavras do Sr. Draghi, concluo que ele é adepto da
minusculização do Estado, da perda dos direitos dos trabalhadores por conta de
outrem face aos empregadores, da austeridade para a maioria e do bem-estar para
uma minoria de privilegiados
Nada
foi dito, explicitamente, sobre o repúdio ou sequer o abrandamento da política
de austeridade como factor dum desenvolvimento económico que beneficie todos,
sobretudo os que mais precisam
Por
isso não admira que a política do BCE de tornar acessível dinheiro barato aos
bancos para que que estes possam alimentar a economia, não tenha resultado.
Porquê? Porque os empreendedores não parecem interessados e não lhe pegam. E
porquê ? Porque eles avaliam o mercado e verificam que não há procura. E porquê
? Porque devido às políticas de austeridade e baixos salários as pessoas na
generalidade não têm dinheiro para alargar os seus gastos, embora possam ter
muitas necessidades por satisfazer.
Em suma o pensamento do Sr. Draghi é o pensamento dum alto
funcionário da UE capturado ideologicamente pelo poder financeiro.
NOTASAS FINAIS:
1)
A ideia do Sr. Presidente da República foi certamente muito bem intencionada e em consequência tenhamos
esperança que o Sr. Draghi tenha ficado a compreender melhor o que os
Portugueses esperam da UE e que, para nós, as pessoas são mais importantes que
o dinheiro – e que portanto a vida económica deve ser organizada
primordialmente para as pessoas .
2)
Não estou contra, ´nem poderia estar eu que sou adepto da economia social de
mercado, que os empresários e os
investidores não devam ou mesmo mereçam ser remunerados pelos seus
investimentos. O que estou é contra a ganância, contra a subordinação do poder
político ao poder económico/financeiro que tem provocado nas últimas décadas,
segundo os economistas adeptos e não adeptos da economia de mercado, uma sistemática
transferência de rendimentos dos pobres para os ricos, do trabalho para o
capital.
Lisboa, 16 de Abril de 2016
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