JO 2016 – ALGUNS
NÚMEROS E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Certamente levados pela euforia da conquista do
Campeonato Europeu de Futebol Sénior Masculino, e por outras vitórias noutros
desportes que quase esgotaram o stock
de comendas do PR, os meios de comunicação social prognosticaram alguns grandes
feitos portugueses nos Jogos Olímpicos. As provas não correram de feição e
apenas a nossa persistente judoca, Telma Monteiro, trouxe uma medalha. Se
anteriormente não havia motivos para grandes euforias, também agora não há
motivos para grandes lágrimas. Todos aqueles que praticam ou praticaram
desporto sabem o resultado óptimo num determinado momento depende de muitos
factores nos quais se inclui a sorte. Para ter aspirações, o que é necessário é
pertencer a esse pequeno lote, a esse escol de atletas que tem possibilidades
de, na hora certa, ultrapassarem os seus adversários.
O difícil é portanto chegar a esse escol de atletas
com possibilidades. Para isso é necessário viver num caldo de cultura onde o
desporto seja prezado e acarinhado, ter uma força de vontade férrea, ter uma
imensa capacidade de treinar, treinar e treinar, ter bons treinadores e ter os
apoios necessários para isso. A era do sportsman
que fazia sport, sem preocupar com o
dia a dia da vida, já acabou há muito. Hoje conta fundamentalmente a vontade
política de apoiar o desporto, a riqueza da nação e o dinheiro que um governo
está disposto a gastar com os seus desportistas e organizações de base – e
também conta o interesse comercial de eventuais patrocinadores
Não me atrevo a desenvolver estes temas, mas vou fazer
uma comparação entre medalhas conseguidas nos JO, população e PIB per capita de
alguns países semelhantes ao nosso
PAÍS
E POSIÇÃO NOS JO MEDALHAS POPULAÇÃO PIB P/ CAPITA
O P B EM MILHÕES EM US$- FMI
12 – Hungria 8 3
4 9,9 13.153
17 -
Croácia
5 3 2 4,5 20.393
18 – Cuba 5 2
4 11,2 10.206
26 – Grécia 3 1
2 11 25.752
32 – Sérvia 2 4
2 7,2 12.605
35 – Bélgica
2 2
6 10,4 41.746
37 – Eslováquia 2 2
0 5,4 26.615
38 – Georgia 2 1
4 3,7 9.500
43 – Rep. Checa 1 2
7 10,5 28.446
45 – Eslovénia 1 2
1 2 23.316
Portugal
0 0 1
10,5 26.306
Desde quadro poderíamos concluir que nações do nosso
nível de riqueza ou mais pobres e menos populosas obtêm melhores resultados e
portanto têm uma melhor cultura desportiva. Mas na realidade creio que os dados
para tirar semelhante conclusão são insuficientes. É necessário também comparar
quantos diplomas e quantos classificados entre os 16 melhores cada país obteve.
Ser campeão depende muito do talento natural da pessoa em causa, mas ter grupos
numerosos entre os 8 primeiros ou entre os 16 primeiros reflecte melhor o nível
desportivo dum país E é também importante comparar o que cada nação gasta com a
preparação de cada atleta, em função da riqueza nacional pois daí poderemos
concluir sobre o empenhamento do respectivo governo no movimento desportivo.
No nosso país, o futebol masculino sénior é um caso à
parte : interessa a toda a gente, pobres, ricos e remediados, a políticos de
todos os quadrantes ideológicos, movimenta muitos milhões de euros, é objecto
de todas as conversas entre amigos ou na comunicação social, as enormes
quantias ganhas pelos grandes jogadores não são objecto de inveja mas pelo
contrário são alvo de admiração e de estímulo para os jovens que sonham com uma
carreira gloriosa e são das poucas profissões em que o empregado – o futebolista
contratado a prazo - ganha mais do que o patrão – o presidente do clube. Em
consequência, e apesar da sua base de recrutamento sem muito menor do que a de
outros países, Portugal ocupa o 6º lugar do ranking da federação internacional.
Mas isto é no futebol sénior masculino, pois o futebol sénior feminino já se
fica pelo 40º lugar do ranking internacional. Quanto ao futebol júnior ou
juvenil não sei, não encontrei rankings. Sei que temos tido boas vitórias, mas
não sei que lugar ocupamos no conjunto internacional
22 AGO 2016