segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O SR. PASSOS COELHO E O INVESTIMENTO



Ouvi numa das estações de TV um apontamento dum comício do Sr. Passos Coelho (PPC) em que este se queixava de que, com um governo como o nosso, ninguém quereria investir em Portugal ( as palavras ditas não foram estas mas o sentido foi ).
Se as razões em que PPC estava a pensar eram as de que tínhamos um governo que não estava disposto aceitar que os trabalhadores de base tivessem salários o mais baixo possível, vivessem na precaridade e não tivessem direito às suas organizações dentro da empresa, então é evidente que se referia a investidores sem interesse nenhum.
Este tipo de investidores, melhor dito de exploradores gananciosos, não é o que interessa a Portugal. O que interessa são empreendedores que reconheçam que tanto o capital como o trabalho são essenciais para realizar qualquer coisa de útil através duma empresa; que aceitem que se os investidores querem maximizar os seus lucros, os trabalhadores também têm o direito de querer maximizar os seus salários – e que através da negociação se atingirá um equilíbrio ; que tragam algo novo seja em conhecimentos técnicos, de gestão, comerciais, ou de marketing; que alarguem as nossas fronteiras comerciais; que tragam o seu dinheiro ( e não que o vão pedir aos nossos depauperados bancos ); que tenham disposição para usar os nossos recursos humanos em inovação e desenvolvimento; que tenham consciência da função social das empresas.
Já não há disso, dir-me-ão. Há ou haverá de novo desde que sejam fixadas regras de jogo por um governo coerente
- e que os dirigentes neo-liberais da EU comecem a arrepiar caminho

Tambem publicado no facebook em 29 de Agosto de 2016


terça-feira, 23 de agosto de 2016

JO 2016 – ALGUNS  NÚMEROS E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Certamente levados pela euforia da conquista do Campeonato Europeu de Futebol Sénior Masculino, e por outras vitórias noutros desportes que quase esgotaram o stock de comendas do PR, os meios de comunicação social prognosticaram alguns grandes feitos portugueses nos Jogos Olímpicos. As provas não correram de feição e apenas a nossa persistente judoca, Telma Monteiro, trouxe uma medalha. Se anteriormente não havia motivos para grandes euforias, também agora não há motivos para grandes lágrimas. Todos aqueles que praticam ou praticaram desporto sabem o resultado óptimo num determinado momento depende de muitos factores nos quais se inclui a sorte. Para ter aspirações, o que é necessário é pertencer a esse pequeno lote, a esse escol de atletas que tem possibilidades de, na hora certa, ultrapassarem os seus adversários.
O difícil é portanto chegar a esse escol de atletas com possibilidades. Para isso é necessário viver num caldo de cultura onde o desporto seja prezado e acarinhado, ter uma força de vontade férrea, ter uma imensa capacidade de treinar, treinar e treinar, ter bons treinadores e ter os apoios necessários para isso. A era do sportsman que fazia sport, sem preocupar com o dia a dia da vida, já acabou há muito. Hoje conta fundamentalmente a vontade política de apoiar o desporto, a riqueza da nação e o dinheiro que um governo está disposto a gastar com os seus desportistas e organizações de base – e também conta o interesse comercial de eventuais patrocinadores
Não me atrevo a desenvolver estes temas, mas vou fazer uma comparação entre medalhas conseguidas nos JO, população e PIB per capita de alguns países semelhantes ao nosso
PAÍS E POSIÇÃO NOS JO       MEDALHAS           POPULAÇÃO      PIB P/ CAPITA                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
                                                    O      P        B            EM MILHÕES    EM US$- FMI

12 – Hungria                               8       3        4              9,9                        13.153
17 -  Croácia                               5        3        2             4,5                         20.393
18 – Cuba                                   5        2        4             11,2                       10.206
26 – Grécia                                 3        1        2             11                          25.752
32 – Sérvia                                 2        4        2             7,2                          12.605
35 – Bélgica                               2        2        6             10,4                        41.746
37 – Eslováquia                          2        2        0             5,4                          26.615
38 – Georgia                               2        1       4              3,7                            9.500
43 – Rep. Checa                         1        2        7             10,5                        28.446
45 – Eslovénia                            1        2        1               2                           23.316
        Portugal                               0       0         1             10,5                       26.306

Desde quadro poderíamos concluir que nações do nosso nível de riqueza ou mais pobres e menos populosas obtêm melhores resultados e portanto têm uma melhor cultura desportiva. Mas na realidade creio que os dados para tirar semelhante conclusão são insuficientes. É necessário também comparar quantos diplomas e quantos classificados entre os 16 melhores cada país obteve. Ser campeão depende muito do talento natural da pessoa em causa, mas ter grupos numerosos entre os 8 primeiros ou entre os 16 primeiros reflecte melhor o nível desportivo dum país E é também importante comparar o que cada nação gasta com a preparação de cada atleta, em função da riqueza nacional pois daí poderemos concluir sobre o empenhamento do respectivo governo no movimento desportivo.
No nosso país, o futebol masculino sénior é um caso à parte : interessa a toda a gente, pobres, ricos e remediados, a políticos de todos os quadrantes ideológicos, movimenta muitos milhões de euros, é objecto de todas as conversas entre amigos ou na comunicação social, as enormes quantias ganhas pelos grandes jogadores não são objecto de inveja mas pelo contrário são alvo de admiração e de estímulo para os jovens que sonham com uma carreira gloriosa e são das poucas profissões em que o empregado – o futebolista contratado a prazo - ganha mais do que o patrão – o presidente do clube. Em consequência, e apesar da sua base de recrutamento sem muito menor do que a de outros países, Portugal ocupa o 6º lugar do ranking da federação internacional. Mas isto é no futebol sénior masculino, pois o futebol sénior feminino já se fica pelo 40º lugar do ranking internacional. Quanto ao futebol júnior ou juvenil não sei, não encontrei rankings. Sei que temos tido boas vitórias, mas não sei que lugar ocupamos no conjunto internacional
  
  22 AGO 2016