No programa
do PS para as próximas eleições consta a baixa temporária da TSU dos empregados
por um período de 4 anos , seguida da respectiva recuperação progressiva durante
8 anos, com o objectivo de aumentar o consumo interno e em consequência
reanimar a economia.
Alguns
comentadores políticos e económicos têm exprimido o receio, ou mesmo o terror,
de que tal intenção venha a desencadear uma onda de importações que desloque
negativamente o frágil equilíbrio da balança comercial com o exterior porque,
dizem eles, o que os portugueses pretendem é bens que não se produzem em
Portugal, nomeadamente automóveis.
Servindo-me,
à falta de elementos mais detalhados, dos gráficos inseridos na pág. 12 do
Expresso Económico 29 de Agosto pp, referentes ao 2º T de 2015, calculo que,
dum total de 4,335 milhões de pessoas empregadas ( número do Eurostat também para
o 2º T 2015 ), cerca 4 milhões recebem um salário inferior a 1800€ , dos quais
cerca de 3,2 milhões menos de 900€ e
cerca de meio milhão menos de 419€. É difícil
considerar que estas pessoas, com um alívio de 2 ou 4% na TSU adquiram
capacidade para comprar bens supérfluos. O mais natural é que reforcem a sua
alimentação, que estejam mais à vontade para comprar medicamentos ou o material
escolar para os filhos, que se lancem a comprar um electrodoméstico que
precisem, que façam alguma reparação na casa onde vivem, que saiam de casa ao
domingo para almoçar fora, que vão ao teatro, etc. E isso será simultaneamente
satisfação de necessidades e contributo para a expansão da economia.
Devo, no
entanto, reconhecer que se as pessoas passarem a ter possibilidade de comprar
um televisor, um telemóvel ou outro aparelho electrónico de bolso, ou um
automóvel ainda que barato, isso irá contribuir para o aumento das importações.
Mas podemos levar a mal essas pretensões ? Só acima de certo nível salarial se
pode ter acesso a bens que o progresso pôs à disposição de todos e que não são
considerados artigos de luxo? O que é fundamental é continuar a promover as
exportações e ajudar os empreendedores nacionais a colocarem no mercado
produtos competitivos com os importados.
Ou só as
pessoas que estão acima de qualquer crise, e portanto que não sofreram com
esta, podem ter o direito de comprar o que quiserem sem incorrerem no reprovativo
abanar de cabeças dos comentadores ?
( A
propósito, lembro-me que o primeiro televisor que comprei para minha casa era
de fabrico quase todo nacional. Era feito na Standard Eléctrica. Hoje já não se
fabricam nem montam televisores em Portugal e portanto acho que regredimos )
PARAR TERMINAR, convém lembrar que o programa económico do PS
tem de ser visto como um todo DESTINADO A MLHORAR A CONDIÇÃO ECONÓMICA DAS
PESSOAS E DO PAÍS e que, em consequência, o resultado das medidas previstas tem
se ser analisado globalmente