terça-feira, 22 de setembro de 2015

BAIXA DA TSU E EXPANSÃO DA ECONOMIA




No programa do PS para as próximas eleições consta a baixa temporária da TSU dos empregados por um período de 4 anos , seguida da respectiva recuperação progressiva durante 8 anos, com o objectivo de aumentar o consumo interno e em consequência reanimar a economia.

Alguns comentadores políticos e económicos têm exprimido o receio, ou mesmo o terror, de que tal intenção venha a desencadear uma onda de importações que desloque negativamente o frágil equilíbrio da balança comercial com o exterior porque, dizem eles, o que os portugueses pretendem é bens que não se produzem em Portugal, nomeadamente automóveis.

Servindo-me, à falta de elementos mais detalhados, dos gráficos inseridos na pág. 12 do Expresso Económico 29 de Agosto pp, referentes ao 2º T de 2015, calculo que, dum total de 4,335 milhões de pessoas empregadas ( número do Eurostat também para o 2º T 2015 ), cerca 4 milhões recebem um salário inferior a 1800€ , dos quais cerca de 3,2 milhões  menos de 900€ e cerca de meio milhão menos de 419€.                                É difícil considerar que estas pessoas, com um alívio de 2 ou 4% na TSU adquiram capacidade para comprar bens supérfluos.  O mais natural é que reforcem a sua alimentação, que estejam mais à vontade para comprar medicamentos ou o material escolar para os filhos, que se lancem a comprar um electrodoméstico que precisem, que façam alguma reparação na casa onde vivem, que saiam de casa ao domingo para almoçar fora, que vão ao teatro, etc. E isso será simultaneamente satisfação de necessidades e contributo para a expansão da economia.

Devo, no entanto, reconhecer que se as pessoas passarem a ter possibilidade de comprar um televisor, um telemóvel ou outro aparelho electrónico de bolso, ou um automóvel ainda que barato, isso irá contribuir para o aumento das importações. Mas podemos levar a mal essas pretensões ? Só acima de certo nível salarial se pode ter acesso a bens que o progresso pôs à disposição de todos e que não são considerados artigos de luxo?    O que é fundamental é continuar a promover as exportações e ajudar os empreendedores nacionais a colocarem no mercado produtos competitivos com os importados.   

Ou só as pessoas que estão acima de qualquer crise, e portanto que não sofreram com esta, podem ter o direito de comprar o que quiserem sem incorrerem no reprovativo abanar de cabeças  dos comentadores  ?

( A propósito, lembro-me que o primeiro televisor que comprei para minha casa era de fabrico quase todo nacional. Era feito na Standard Eléctrica. Hoje já não se fabricam nem montam televisores em Portugal e portanto acho que regredimos  )
PARAR TERMINAR,  convém lembrar que o programa económico do PS tem de ser visto como um todo DESTINADO A MLHORAR A CONDIÇÃO ECONÓMICA DAS PESSOAS E DO PAÍS e que, em consequência, o resultado das medidas previstas tem se ser analisado globalmente

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