Se estou bem lembrado, António Costa durante a campanha
eleitoral disse que “só se os marcianos invadissem a terra” poderia fazer
governo com a coligação de direita, dita PaF ( as palavras não terão sido
exactamente aquelas, mas o sentido era o de não fazer ).
Por outro lado nunca disse que não procuraria acordos de
governo à esquerda.
Nestas condições, não têm razão aqueles que acusam António
Costa de “traição” aos eleitores do PS por dialogar seriamente à esquerda em vez
de procurar uma “solução construtiva à direita (?!)”
Se lermos o Expresso de 17 de Outubro de 2015 verifica-se a
existência dum coro de colunistas, articulistas e humoristas contra a
possibilidade de haver um governo de esquerda e algumas vozes neutrais ou a
favor de tal solução governativa.
Embora aceitando que, constitucionalmente, o conjunto da
esquerda tem direito a propor um governo, quais são os argumentos dos que estão
contra ?
- A oposição da CDU e
do BE à OTAN e aos tratados da zona euro
- a aversão da CDU pela moeda única
- a instabilidade que tal solução governativa prometerá
- a tradição de o partido mais votado, com menor ou maior
maioria, formar governo
- o facto histórico de o PS ter sido sempre o inimigo de
estimação do PCP (alegadamente por
aquele seguir
políticas de direita) e portanto este não
ser um parceiro fiável
- o perigo de, em virtude de imposições da extrema esquerda,
o défice orçamental ir para alem
dos valores
acordados com os mandantes da zona euro
- o perigo da bolsa desabar
- o perigo da subida de juros nas próximas compras de dívida
externa
- o perigo de os investidores estrangeiros não se
interessarem por Portugal
Tudo receios muito respeitáveis, mas que um partido
europeísta, embora crítico, como o PS não deixará de esconjurar se vier a
formar governo.
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima
preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou
com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista.
Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução
acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem
tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um
emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os
filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e ,
infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler
o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos
que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os
portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam.
É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza
e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da
civilização .
Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou
seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para
milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo!
F. Fonseca Santos
19 OUT 2015
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