terça-feira, 20 de outubro de 2015

COMENTÁRIOS A COMENTÁRIOS PÓS-ELEITORAIS


Se estou bem lembrado, António Costa durante a campanha eleitoral disse que “só se os marcianos invadissem a terra” poderia fazer governo com a coligação de direita, dita PaF ( as palavras não terão sido exactamente aquelas, mas o sentido era o de não fazer ).
Por outro lado nunca disse que não procuraria acordos de governo à esquerda.
Nestas condições, não têm razão aqueles que acusam António Costa de “traição” aos eleitores do PS por dialogar seriamente à esquerda em vez de procurar uma “solução construtiva à direita (?!)”
Se lermos o Expresso de 17 de Outubro de 2015 verifica-se a existência dum coro de colunistas, articulistas e humoristas contra a possibilidade de haver um governo de esquerda e algumas vozes neutrais ou a favor de tal solução governativa.
Embora aceitando que, constitucionalmente, o conjunto da esquerda tem direito a propor um governo, quais são os argumentos dos que estão contra ?
- A  oposição da CDU e do BE à OTAN e aos tratados da zona euro
- a aversão da CDU pela moeda única
- a instabilidade que tal solução governativa prometerá
- a tradição de o partido mais votado, com menor ou maior maioria, formar governo
- o facto histórico de o PS ter sido sempre o inimigo de estimação do PCP (alegadamente por  
  aquele seguir políticas  de direita) e portanto este não ser um parceiro fiável
- o perigo de, em virtude de imposições da extrema esquerda, o défice orçamental ir para alem 
  dos valores acordados com os mandantes da zona euro
- o perigo da bolsa desabar
- o perigo da subida de juros nas próximas compras de dívida externa
- o perigo de os investidores estrangeiros não se interessarem por Portugal
Tudo receios muito respeitáveis, mas que um partido europeísta, embora crítico, como o PS não deixará de esconjurar se vier a formar governo.
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam. É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da civilização .
Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo!

F. Fonseca Santos

19 OUT 2015

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