segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OPINIÕES SOBRE UM EVENTUAL GOVERNO DE ESQUERDA


OPINIÕES SOBRE UM EVENTUAL GOVERNO DE ESQUERDA
Como sabem, sou leitor do Expresso por considerar que apresenta artigos ou reportagens interessantes sobre uma grande diversidade de temas e porque na lista dos seus comentadores políticos e económicos figuram pessoas de várias ideologias e seguidores de várias escolas de pensamento.
Como sou leitor crítico, não resisti a fazer um pequeno apanhado sobre as preferências dos articulistas, colunistas e humoristas, colaboradores permanentes na sua larga maioria, no que respeita a uma eventual formação dum governo de esquerda. O resultado, em números, foi o seguinte.
Expresso do dia ………………………………….       17OUT     …………………………   24OUT
Contra um governo de esquerda                                         12                                                       7          
Neutrais                                                                                3                                                        3
A favor dum governo de esquerda                                       2                                                        3 

Notas: i) Nem todos os comentadores que escreveram em 17.10 também escreveram em 24.10: houve 3 que só apresentaram textos num dos dias
ii) Nenhum comentador mudou de ideias     
iii ) O Director e o Sub-Director para os assuntos económicos foram neutrais ( como compete, penso eu,  num semanário que se quer democrático e de referência )

Os argumentos contra e a favor dum governo de esquerda apresentados em 24.10 são os mesmos de 17:10. Portanto os meus comentários* ao facto só podem ser os mesmos que escrevi em 19.10 ( e que foram transmitidos aos Meus Amigos e publicados no meu blog “Ver para Crer”); no entanto vou acrescentar o seguinte : o tom agressivo de alguns “contra”, em contraste com o tom calmo dos “a favor”, tem muitas semelhanças com “clubite futebolística”!

25 OUT 2015

*Repito os meus comentários:
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam. É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da civilização .

Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UMA QUESTÃO DE ÉTICA

UMA QUESTÃO DE ÉTICA

A crer nas sondagens eleitorais, os portugueses correm o grave risco de verem uma coligação dita PaF obter o melhor resultado das eleições de 4 de Outubro de 2015 e o Partido Socialista ficar atrás daquela.
Se esta hipótese prevalecer, eu a quem já nada deveria admirar dados os meus 78 anos de vida, acharei espantoso e preocupante que tal aconteça, pois representará um tremendo atentado à ética da governação
De facto os chefes da PaF, o Sr. Passos Coelho pelo PSD e o Sr. Paulo Portas pelo CDS, na campanha eleitoral de 2011 enganaram os cidadãos com promessas que não cumpriram. E durante a legislatura foram sempre dizendo mentiras q.b. para enganar as pessoas. Todos nós conhecemos os exemplos destas atitudes e não vale a pena repeti-los. São pois politicamente mentirosos.
Por outro lado, o Sr. António Costa tem uma vida de servidor público em cargos de grande responsabilidade à qual ninguém pode apontar casos de mentiras políticas nem de promessas que não tivessem sido cumpridas. Nem sequer de suspeitas de conduta menos própria em  casos que envolvam dinheiros públicos, E o programa eleitoral defendido pelo Sr. António Costa é consentâneo com a nossa integração europeia e tem medidas para aliviar mais rapidamente os portugueses da miséria e do garrote da austeridade.
Perante estes factos, não vou fazer mais considerações políticas ( muitos portugueses já tiraram as suas conclusões ) mas fazer uma pergunta aos apoiantes do PaF :
Se alguma vez os vossos filhos ou netos vos fizerem a pergunta “ que me recomendas para ter sucesso na minha profissão ou singrar na minha actividade ? “ a vossa resposta será “ façam o que for necessário, mintam, façam promessas que não vão cumprir, não honrem a palavra dada” ?

Post-Scriptum
Cerca de 32% dos portugueses, melhor dito cerca de 14,4% dos portugueses uma vez que a abstenção andou à volta dos 45% dos eleitores, votou na PaF. Ou seja mais de 1,3 milhões de eleitores ou não quiseram saber de ética na política ou não ouviram o que os chefes da PaF disseram em 2011 e durante a legislatura, ou acham que os fins justificam os meios!


A FORMAÇÃO DO GOVERNO APÓS AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2015


Os resultados das eleições têm sido lidos de maneira diferente conforme as simpatias partidárias, o que não é novidade nem de estranhar.
É um facto, e portanto insusceptível de controvérsia, que PS, BE e CDU ganharam votos e deputados  em relação às eleições de 2011 e que PSD+CDS obtiveram pior resultado, quer em votantes, quer em deputados eleitos.
Também é verdade que os portugueses na generalidade preferiram programas que preconizam o fim da austeridade, a melhoria do estado social, em particular da segurança social, a redução dos impostos, o fim das privatizações (PS, BE e CDU )  em oposição ao programa da PaF ( PSD + CDS ) que propõe a continuação da política seguida nos últimos 4 anos.
Portanto existe a possibilidade real de os partidos de esquerda se entenderem para a formação dum governo, desde que ponham de parte algumas ou muitas das suas diferenças programáticas e mesmo ideológicas.
Esta possibilidade tem sido considerada por muitos, senão a maioria, dos comentadores  na imprensa, na rádio e na tv como uma catástrofe para Portugal, a evitar, democraticamente, a todo o custo.
O semanário Expresso de 10 de Outubro de 2015 não foge a esta regra : são em maior número os comentadores, a que se juntam humoristas, contra um governo de esquerda e a favor dum governo do PaF do que o inverso.                                                                                                                          
Um dos argumentos invocados a favor do PaF, para alem das “desgraças” que podem acontecer aos portugueses ( quais portugueses ?), é o da aritmética + tradição : tendo os partidos da coligação de direita obtido mais votos e mais deputados, RELATIVAMENTE, a qualquer partido à sua esquerda o PaF deveria ser chamada a governar, fazendo concessões programáticas a fim de obter o beneplácito do PS. Alegam os comentadores que sempre foi assim desde o 25 de Abril.                                                                                                                                                       A tradição pode ser uma coisa muito bonita, mas não deve ser considerada eterna. Muitas vezes, em face de valores mais importantes, tradições têm sido quebradas.   
Outro argumento invocado pelos apoiantes do PaF são o que de bom as políticas seguidas desde 2011 até hoje, trouxeram aos portugueses. Em relação a este argumento, notícias no mesmo número do Expresso se encarregam de desmentir :
- Na página 24 são denunciadas a falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e o facto  de 50% dos idosos portugueses não terem dentes
- Na página 25 são revelados números ( horríveis ) dum estudo da Pordata sobre a pobreza e os risco de pobreza em Portugal .
Sem ir mais longe na descrição de situações que a maioria dos portugueses sofre e aguenta,
PODEMOS DIZER QUE A COLIGAÇÃO PSD + CDS TEM O DIREITO DE GOVERNAR ?

No nosso sistema político, o que conta realmente é a vontade do Parlamento, expressa pelo voto dos deputados. Se houver uma maioria de deputados que rejeite um programa de governo e esteja disposta a aceitar outro, não pode haver dúvidas de que o segundo deve seguir em frente ( por mais custe aos apoiantes do primeiro ).
PORTANTO A RESPOSTA À PERGUNTA ACIMA FORMULADA É : NÃO

E O PS DEVE SER ESCOLHIDO PELO PR PARA APRESENTAR UM PROGRAMA DE GOVERNO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

COMENTÁRIOS AOS RESULTADOS DAS LEGISLATIVAS 2015


Olhando para os resultados eleitorais ( PaF + PSD + CDS ) = 38,48% ; PS = 32,38 % ; BE = 10,22%   CDU = 8,27% ; outros partidos (incluindo PAN com 1,51%)  = 7,00% ; brancos+ nulos = 3,70% , usando um pouco a linguagem matemática e considerando os respectivos programas, podemos dizer que existe um conjunto de 70,88% de eleitores que prefere que Portugal continue na EU, na zona euro e na OTAN ( PS + PaF ), respeitando os tratados, e um conjunto de 18,49% de eleitores que gostaria que Portugal saísse da EU, da zona euro e da OTAN (BE+CDU ).
Considerando outros aspectos importantes dos programas eleitorais, também podemos dizer que existe um conjunto de 50,87% de eleitores ( PS + BE +CDU ) que deseja o fim da austeridade, a melhoria do estado social, em particular da segurança social, a redução dos impostos, o fim das privatizações, e um conjunto de 38,48% de votantes que prefere a manutenção da austeridade, a redução se necessário do orçamento do estado social e a introdução dum tecto nos descontos para o sistema de reformas.
Todos os partidos proclamam que é necessário o desenvolvimento económico do país.
Nestas considerações não incluí o PAN por não me parecer claro no seu programa eleitoral as opções relativamente aos temas focados. E também não entraram os votos dos emigrantes por o resultado não ser conhecido.
Olhando agora para os 2 primeiros conjuntos definidos acima, concluímos que existe um sub-conjunto que é comum aos 2 : o SUB-CONJUNTO DOS ELEITORES DO PS.
Analogamente, olhando os 2 últimos conjuntos definidos, concluímos também que existe um sub-conjunto que é comum aos 2 : o SUB-CONJUNTO DOS ELEITORES DO PS.
Portanto nos assuntos que mais interessam aos portugueses, o programa do PS é o único que aponta soluções que podem ser aceites por todos os cidadãos. Sendo assim, o programa do PS, com pontuais adaptações, deverá constituir o cerne do programa do futuro governo e o Partido Socialista o respectivo executor.


9 OUT 2015

COMENTÁRIOS A COMENTÁRIOS PÓS-ELEITORAIS


Se estou bem lembrado, António Costa durante a campanha eleitoral disse que “só se os marcianos invadissem a terra” poderia fazer governo com a coligação de direita, dita PaF ( as palavras não terão sido exactamente aquelas, mas o sentido era o de não fazer ).
Por outro lado nunca disse que não procuraria acordos de governo à esquerda.
Nestas condições, não têm razão aqueles que acusam António Costa de “traição” aos eleitores do PS por dialogar seriamente à esquerda em vez de procurar uma “solução construtiva à direita (?!)”
Se lermos o Expresso de 17 de Outubro de 2015 verifica-se a existência dum coro de colunistas, articulistas e humoristas contra a possibilidade de haver um governo de esquerda e algumas vozes neutrais ou a favor de tal solução governativa.
Embora aceitando que, constitucionalmente, o conjunto da esquerda tem direito a propor um governo, quais são os argumentos dos que estão contra ?
- A  oposição da CDU e do BE à OTAN e aos tratados da zona euro
- a aversão da CDU pela moeda única
- a instabilidade que tal solução governativa prometerá
- a tradição de o partido mais votado, com menor ou maior maioria, formar governo
- o facto histórico de o PS ter sido sempre o inimigo de estimação do PCP (alegadamente por  
  aquele seguir políticas  de direita) e portanto este não ser um parceiro fiável
- o perigo de, em virtude de imposições da extrema esquerda, o défice orçamental ir para alem 
  dos valores acordados com os mandantes da zona euro
- o perigo da bolsa desabar
- o perigo da subida de juros nas próximas compras de dívida externa
- o perigo de os investidores estrangeiros não se interessarem por Portugal
Tudo receios muito respeitáveis, mas que um partido europeísta, embora crítico, como o PS não deixará de esconjurar se vier a formar governo.
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam. É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da civilização .
Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo!

F. Fonseca Santos

19 OUT 2015