Os
resultados das eleições têm sido lidos de maneira diferente conforme as
simpatias partidárias, o que não é novidade nem de estranhar.
É um facto,
e portanto insusceptível de controvérsia, que PS, BE e CDU ganharam votos e
deputados em relação às eleições de 2011
e que PSD+CDS obtiveram pior resultado, quer em votantes, quer em deputados
eleitos.
Também é
verdade que os portugueses na generalidade preferiram programas que preconizam
o fim da austeridade, a melhoria do estado social, em particular da segurança
social, a redução dos impostos, o fim das privatizações (PS, BE e CDU ) em oposição ao programa da PaF ( PSD + CDS )
que propõe a continuação da política seguida nos últimos 4 anos.
Portanto existe a possibilidade real de os partidos de
esquerda se entenderem para a formação dum governo, desde que ponham de parte
algumas ou muitas das suas diferenças programáticas e mesmo ideológicas.
Esta possibilidade tem sido considerada por muitos, senão a
maioria, dos comentadores na imprensa,
na rádio e na tv como uma catástrofe para Portugal, a evitar, democraticamente,
a todo o custo.
O semanário
Expresso de 10 de Outubro de 2015 não foge a esta regra : são em maior número
os comentadores, a que se juntam humoristas, contra um governo de esquerda e a
favor dum governo do PaF do que o inverso.
Um dos argumentos invocados a
favor do PaF, para alem das “desgraças” que podem acontecer aos portugueses (
quais portugueses ?), é o da aritmética + tradição : tendo os partidos da
coligação de direita obtido mais votos e mais deputados, RELATIVAMENTE, a
qualquer partido à sua esquerda o PaF deveria ser chamada a governar, fazendo concessões
programáticas a fim de obter o beneplácito do PS. Alegam os comentadores que
sempre foi assim desde o 25 de Abril.
A tradição pode ser uma coisa muito bonita,
mas não deve ser considerada eterna. Muitas vezes, em face de valores mais
importantes, tradições têm sido quebradas.
Outro
argumento invocado pelos apoiantes do PaF são o que de bom as políticas seguidas
desde 2011 até hoje, trouxeram aos portugueses. Em relação a este argumento,
notícias no mesmo número do Expresso se encarregam de desmentir :
- Na página 24
são denunciadas a falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e o
facto de 50% dos idosos portugueses não
terem dentes
- Na página
25 são revelados números ( horríveis ) dum estudo da Pordata sobre a pobreza e
os risco de pobreza em Portugal .
Sem ir mais
longe na descrição de situações que a maioria dos portugueses sofre e aguenta,
PODEMOS
DIZER QUE A COLIGAÇÃO PSD + CDS TEM O DIREITO DE GOVERNAR ?
No nosso sistema político, o que conta realmente é a vontade
do Parlamento, expressa pelo voto dos deputados. Se houver uma maioria de
deputados que rejeite um programa de governo e esteja disposta a aceitar outro,
não pode haver dúvidas de que o segundo deve seguir em frente ( por mais custe
aos apoiantes do primeiro ).
PORTANTO A RESPOSTA À PERGUNTA ACIMA FORMULADA É : NÃO
E O PS DEVE SER ESCOLHIDO PELO PR PARA APRESENTAR UM PROGRAMA
DE GOVERNO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
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