domingo, 30 de agosto de 2015

SOBRE NOVOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS EM PORTUGAL




No seu artigo de 22 de Agosto de 21015 no Expresso Económico, o jornalista e  Director-Adjunto Sr. Nicolau Santos faz referência a numerosos e recentes investimentos estrangeiros na área das PME, afirmando que, neste aspecto, as coisas estavam a mudar.

Após ler o artigo, senti um misto de satisfação, de inquietação e de perplexidade

De satisfação por verificar que existem pessoas ( individuais ou colectivas ) que, ao criarem empresas em Portugal, diminuem o desemprego e assim podem retirar de dificuldades, ou mesmo do desespero, numerosos portugueses.

De inquietação porque, a menos que as respectivas produções se destinem à exportação ou a substituir importações, o saldo final no que respeita às entradas e saídas de dinheiro acaba por ser negativo para o país, pois os lucros e a amortização  do investimento serão certamente exportados – e Portugal vai empobrecer.

De perplexidade, por não perceber porque razão, sendo os investimentos sedutores, não são feitos por capitalistas indígenas aproveitando oportunidades de fazerem bem a si próprios e ao próximo. Mais valeria isso do que ter os capitais a vagabundear por fundos de investimento mais ou menos inseguros – isto penso eu, que felizmente não sou economista nem jogador, mas também não tenho raiva a quem o seja .

Também poderão desvalorizar as minhas objecções, dizendo : i) vivemos numa economia alegadamente global e se existem investimentos portugueses no estrangeiro a repatriar lucros,  temos aceitar o inverso; ou ii) mesmo que os lucros dos investi- mentos estrangeiros sejam exportados, mais vale isso do que o estado compensar os desempregados com prestações sociais, que saem do erário público.

Ao argumento i) responderei que o ideal seria que o repatriamento fosse equivalente ao expatriamento de lucros – mas, infelizmente, estou convencido que Portugal fica a perder.

Ao argumento ii) direi que, do ponto de vista da auto-estima das pessoas, assim é, mas do ponto de vista do equilíbrio das contas públicas, os economistas talvez achem que mais vale pagar subsídios sociais pois o dinheiro continua a circular no país, não sendo portanto exportado.

CONCLUSÃO DESGOSTOSA : Parece que os estrangeiros acreditam mais na nossa economia que os portugueses.

 

F. Fonseca Santos

29 AGO 2015

 

 

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