domingo, 27 de dezembro de 2015

REFLEXÕES A PROPÓSITO DO ESCÂNDALO BANIF


REFLEXÕES A PROPÓSITO DO ESCÂNDALO BANIF

 

Os Portugueses, directa ou indirectamente, vão ser chamados a pagar alguns milhares de milhões de euros para evitar a falência do Banco Banif. E apesar deste enorme dispêndio, o banco não fica nas mãos do Estado mas, a troco duns 150 milhões de euros, vai parar a uma instituição bancária de capitais espanhóis, o Banco Santander Totta. E dizem que ainda houve muita sorte !

Isto dito desta maneira parece uma anedota de malucos ! Mas como as pessoas que tomaram as decisões que deram este resultado não são doidas, questionemos :

 

1. Porque não se deixou o Banif ir à falência ?

Resposta : porque isso implicaria a perda de milhares de postos de trabalho, a perda para os depositantes dos depósito acima de 100.000 € de parte do seu dinheiro , grande perturbação nas economias regionais da Madeira e dos Açores, mais algum descrédito para o, já desacreditado, digo eu,  nosso sistema financeiro e pagamento de parte das dívidas do Banif uma vez que o Estado detém cerca de 60% do capital.

Apreciação : do meu ponto de vista, argumentos atendíveis.

 

2. Porque não ficou o Estado Português na posse no Banif ?

Resposta : porque a Direcção Geral da Concorrência da União Europeia ( DGC ) não deixou, nem sequer que o Banif fosse absorvido pela Caixa Geral de Depósitos.

Apreciação : pareceu-me que as razões que estão na base da decisão da DGC não são nada convincentes.  Na realidade, se o Estado se pôde tornar o principal acionista do Banif  ( 60 % ), com uma injecção de dinheiro público em 2012, porque razão não pode ficar proprietário e é obrigado a vendê-lo, não com lucro mas com grande prejuízo, a um banco privado ? De certo que não haveria perigo para a concorrência inter-bancária se o Banif fosse incorporado na CGD

uma vez que não representa mais de 4% do sistema financeiro. Será que as regras da DGC se destinam a proteger os bancos em detrimento dos Estados e dos contribuintes?

 

3. Porque razão o governo anterior do PSD+CDS e o Bando de Portugal não batalharam devidamente para conseguir uma solução, em devido tempo, mais favorável ao Estado e deixaram a questão arrastar-se a um ponto em que já não havia prazo para negociações e em que o presente governo tinha de escolher entre duas alternativas, ambas más ?

Resposta : foram apresentadas várias explicações de acordo com a cor política, mas na generalidade pouco abonatórias do governo anterior e do BdeP.

Apreciação : Esperemos que a prevista Comissão de Inquérito Parlamentar ponha os pontos nos ii

 

4. Como foi possível a administração do Banif deixar chegar o banco ao ponto a que chegou ?

Resposta : Esperemos que a já citada Comissão de Inquérito também venha a esclarecer este assunto.

 

Este episódio é o quarto duma série de casos bancários que tem trazido abundantes prejuízos à generalidade dos portugueses, para evitar os prejuízos resultantes das respectivas falências.

Ou seja : quando os bancos dão lucros, os accionistas recebem os dividendos – e os gestores principais os bónus ; quando os bancos, devido a gestões deficientes ou dolosas, estão `beira do colapso, os portugueses são chamados a pagar.

Nestas condições, sabendo-se que instituições do tipo bancário ( não especulativo ) são necessárias ao funcionamento da economia, ocorre perguntar porque razão hão-se ser privadas e não públicas?

Se fossem públicas, não só os prejuízos ficariam para os portugueses, mas também os lucros.

Mas assim o Estado teria de gastar dinheiro a investir em bancos. Pois tinha, mas recebia lucros, ou benefícios de outra ordem para o desenvolvimento económico Porque se o negócio bancário é bom para os privados que sabem gerir, porque não há-de ser bom para o Estado ?

Para os privados, ficariam os bancos de investimento especulativo , sendo os depositantes e os accionistas avisados, em letras gordas, que em caso de falência não haveria mãozinha do Estado para os proteger. E os trabalhadores que quisessem pertencer aos quadros de tais bancos também seriam avisados que em caso de colapso, só poderiam contar com o subsídio de desemprego.

Claro que este raciocínio vai contra toda a tradição histórica ( talvez mesmo bíblica ) da existência de banqueiros privados num universo não comunista, mas creio que vale a pena ser discutido mais vezes.

 

Portanto na situação actual defendo : a separação da banca dita de retalho da banca especulativa; o conhecimento público, através do BdeP, das transferências bancárias para o estrangeiro; o impedimento de o fazer para bancos ou instituições que não tenham acordos de troca de informações com o BdeP ( ao estilo da leis dos EUA ); o fim dos off-shores que escondem informações; a possibilidade de os Estados nacionalizarem bancos defeituosos sem serem obrigados a revender com grandes perdas;  uma análise cuidadosa antes da concessão de crédito ; uma regulamentação rigorosa do sistema financeiro.

 

27 DEZ 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

OPINIÕES NO EXPRESSO DE 7 DE NOVEMBRO DE 2015


Vejamos mais uma vez como se dividem as opiniões dos comentadores do Expresso, agora na  edição de 7 de Novembro   (articulistas, colunistas, humoristas ) sobre a eventual formação dum governo de esquerda, e, ao mesmo tempo, comparando com os números anteriores:

Expresso do dia ……………………………  17OUT     24OUT  ….31OUT        7NOV

Contra um governo de esquerda           12              7                  6                 8

Neutrais                                                        3              3                4                 6

A favor dum governo de esquerda           2             3                4                 1

Notas:   i) Nem todos os comentadores que escreveram em 17.10 também escreveram em 24.10, 31.10 ou 7.11

ii ) O Director e o Sub-Director para os assuntos económicos foram neutrais ( como compete, penso eu,  num semanário que se quer democrático e de referência )

iii) O número dos “a favor” diminuiu porque 2 comentadores eventuais  não escreveram e um dos habituais escreveu de forma neutra

A direita, desde os membros do governo demissionário aos feicebuquistas, passando pelos  comentadores e analistas dos meios de comunicação social, anda muito agitada: grita, esbraceja, esperneia – tal como as crianças a quem retiraram o brinquedo predilecto.                                                                             
 A sua grande preocupação, segundo o que dizem mas não sei se segundo o que pensam, é com uma entidade a que chamam “o País” ou “Portugal”. Só falam dos “Portugueses” para louvar os sacrifícios feitos, quando sabemos que os que mais tinham não foram sacrificados e que só os que menos podiam  o foram. Como se Portugal fosse uma entidade abstracta e não uma entidade concreta constituída por pessoas, os Portugueses.

Por isso repito o que disse anteriormente

Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.

12 NOV 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OPINIÕES SOBRE UM EVENTUAL GOVERNO DE ESQUERDA


OPINIÕES SOBRE UM EVENTUAL GOVERNO DE ESQUERDA
Como sabem, sou leitor do Expresso por considerar que apresenta artigos ou reportagens interessantes sobre uma grande diversidade de temas e porque na lista dos seus comentadores políticos e económicos figuram pessoas de várias ideologias e seguidores de várias escolas de pensamento.
Como sou leitor crítico, não resisti a fazer um pequeno apanhado sobre as preferências dos articulistas, colunistas e humoristas, colaboradores permanentes na sua larga maioria, no que respeita a uma eventual formação dum governo de esquerda. O resultado, em números, foi o seguinte.
Expresso do dia ………………………………….       17OUT     …………………………   24OUT
Contra um governo de esquerda                                         12                                                       7          
Neutrais                                                                                3                                                        3
A favor dum governo de esquerda                                       2                                                        3 

Notas: i) Nem todos os comentadores que escreveram em 17.10 também escreveram em 24.10: houve 3 que só apresentaram textos num dos dias
ii) Nenhum comentador mudou de ideias     
iii ) O Director e o Sub-Director para os assuntos económicos foram neutrais ( como compete, penso eu,  num semanário que se quer democrático e de referência )

Os argumentos contra e a favor dum governo de esquerda apresentados em 24.10 são os mesmos de 17:10. Portanto os meus comentários* ao facto só podem ser os mesmos que escrevi em 19.10 ( e que foram transmitidos aos Meus Amigos e publicados no meu blog “Ver para Crer”); no entanto vou acrescentar o seguinte : o tom agressivo de alguns “contra”, em contraste com o tom calmo dos “a favor”, tem muitas semelhanças com “clubite futebolística”!

25 OUT 2015

*Repito os meus comentários:
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam. É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da civilização .

Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UMA QUESTÃO DE ÉTICA

UMA QUESTÃO DE ÉTICA

A crer nas sondagens eleitorais, os portugueses correm o grave risco de verem uma coligação dita PaF obter o melhor resultado das eleições de 4 de Outubro de 2015 e o Partido Socialista ficar atrás daquela.
Se esta hipótese prevalecer, eu a quem já nada deveria admirar dados os meus 78 anos de vida, acharei espantoso e preocupante que tal aconteça, pois representará um tremendo atentado à ética da governação
De facto os chefes da PaF, o Sr. Passos Coelho pelo PSD e o Sr. Paulo Portas pelo CDS, na campanha eleitoral de 2011 enganaram os cidadãos com promessas que não cumpriram. E durante a legislatura foram sempre dizendo mentiras q.b. para enganar as pessoas. Todos nós conhecemos os exemplos destas atitudes e não vale a pena repeti-los. São pois politicamente mentirosos.
Por outro lado, o Sr. António Costa tem uma vida de servidor público em cargos de grande responsabilidade à qual ninguém pode apontar casos de mentiras políticas nem de promessas que não tivessem sido cumpridas. Nem sequer de suspeitas de conduta menos própria em  casos que envolvam dinheiros públicos, E o programa eleitoral defendido pelo Sr. António Costa é consentâneo com a nossa integração europeia e tem medidas para aliviar mais rapidamente os portugueses da miséria e do garrote da austeridade.
Perante estes factos, não vou fazer mais considerações políticas ( muitos portugueses já tiraram as suas conclusões ) mas fazer uma pergunta aos apoiantes do PaF :
Se alguma vez os vossos filhos ou netos vos fizerem a pergunta “ que me recomendas para ter sucesso na minha profissão ou singrar na minha actividade ? “ a vossa resposta será “ façam o que for necessário, mintam, façam promessas que não vão cumprir, não honrem a palavra dada” ?

Post-Scriptum
Cerca de 32% dos portugueses, melhor dito cerca de 14,4% dos portugueses uma vez que a abstenção andou à volta dos 45% dos eleitores, votou na PaF. Ou seja mais de 1,3 milhões de eleitores ou não quiseram saber de ética na política ou não ouviram o que os chefes da PaF disseram em 2011 e durante a legislatura, ou acham que os fins justificam os meios!


A FORMAÇÃO DO GOVERNO APÓS AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2015


Os resultados das eleições têm sido lidos de maneira diferente conforme as simpatias partidárias, o que não é novidade nem de estranhar.
É um facto, e portanto insusceptível de controvérsia, que PS, BE e CDU ganharam votos e deputados  em relação às eleições de 2011 e que PSD+CDS obtiveram pior resultado, quer em votantes, quer em deputados eleitos.
Também é verdade que os portugueses na generalidade preferiram programas que preconizam o fim da austeridade, a melhoria do estado social, em particular da segurança social, a redução dos impostos, o fim das privatizações (PS, BE e CDU )  em oposição ao programa da PaF ( PSD + CDS ) que propõe a continuação da política seguida nos últimos 4 anos.
Portanto existe a possibilidade real de os partidos de esquerda se entenderem para a formação dum governo, desde que ponham de parte algumas ou muitas das suas diferenças programáticas e mesmo ideológicas.
Esta possibilidade tem sido considerada por muitos, senão a maioria, dos comentadores  na imprensa, na rádio e na tv como uma catástrofe para Portugal, a evitar, democraticamente, a todo o custo.
O semanário Expresso de 10 de Outubro de 2015 não foge a esta regra : são em maior número os comentadores, a que se juntam humoristas, contra um governo de esquerda e a favor dum governo do PaF do que o inverso.                                                                                                                          
Um dos argumentos invocados a favor do PaF, para alem das “desgraças” que podem acontecer aos portugueses ( quais portugueses ?), é o da aritmética + tradição : tendo os partidos da coligação de direita obtido mais votos e mais deputados, RELATIVAMENTE, a qualquer partido à sua esquerda o PaF deveria ser chamada a governar, fazendo concessões programáticas a fim de obter o beneplácito do PS. Alegam os comentadores que sempre foi assim desde o 25 de Abril.                                                                                                                                                       A tradição pode ser uma coisa muito bonita, mas não deve ser considerada eterna. Muitas vezes, em face de valores mais importantes, tradições têm sido quebradas.   
Outro argumento invocado pelos apoiantes do PaF são o que de bom as políticas seguidas desde 2011 até hoje, trouxeram aos portugueses. Em relação a este argumento, notícias no mesmo número do Expresso se encarregam de desmentir :
- Na página 24 são denunciadas a falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e o facto  de 50% dos idosos portugueses não terem dentes
- Na página 25 são revelados números ( horríveis ) dum estudo da Pordata sobre a pobreza e os risco de pobreza em Portugal .
Sem ir mais longe na descrição de situações que a maioria dos portugueses sofre e aguenta,
PODEMOS DIZER QUE A COLIGAÇÃO PSD + CDS TEM O DIREITO DE GOVERNAR ?

No nosso sistema político, o que conta realmente é a vontade do Parlamento, expressa pelo voto dos deputados. Se houver uma maioria de deputados que rejeite um programa de governo e esteja disposta a aceitar outro, não pode haver dúvidas de que o segundo deve seguir em frente ( por mais custe aos apoiantes do primeiro ).
PORTANTO A RESPOSTA À PERGUNTA ACIMA FORMULADA É : NÃO

E O PS DEVE SER ESCOLHIDO PELO PR PARA APRESENTAR UM PROGRAMA DE GOVERNO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

COMENTÁRIOS AOS RESULTADOS DAS LEGISLATIVAS 2015


Olhando para os resultados eleitorais ( PaF + PSD + CDS ) = 38,48% ; PS = 32,38 % ; BE = 10,22%   CDU = 8,27% ; outros partidos (incluindo PAN com 1,51%)  = 7,00% ; brancos+ nulos = 3,70% , usando um pouco a linguagem matemática e considerando os respectivos programas, podemos dizer que existe um conjunto de 70,88% de eleitores que prefere que Portugal continue na EU, na zona euro e na OTAN ( PS + PaF ), respeitando os tratados, e um conjunto de 18,49% de eleitores que gostaria que Portugal saísse da EU, da zona euro e da OTAN (BE+CDU ).
Considerando outros aspectos importantes dos programas eleitorais, também podemos dizer que existe um conjunto de 50,87% de eleitores ( PS + BE +CDU ) que deseja o fim da austeridade, a melhoria do estado social, em particular da segurança social, a redução dos impostos, o fim das privatizações, e um conjunto de 38,48% de votantes que prefere a manutenção da austeridade, a redução se necessário do orçamento do estado social e a introdução dum tecto nos descontos para o sistema de reformas.
Todos os partidos proclamam que é necessário o desenvolvimento económico do país.
Nestas considerações não incluí o PAN por não me parecer claro no seu programa eleitoral as opções relativamente aos temas focados. E também não entraram os votos dos emigrantes por o resultado não ser conhecido.
Olhando agora para os 2 primeiros conjuntos definidos acima, concluímos que existe um sub-conjunto que é comum aos 2 : o SUB-CONJUNTO DOS ELEITORES DO PS.
Analogamente, olhando os 2 últimos conjuntos definidos, concluímos também que existe um sub-conjunto que é comum aos 2 : o SUB-CONJUNTO DOS ELEITORES DO PS.
Portanto nos assuntos que mais interessam aos portugueses, o programa do PS é o único que aponta soluções que podem ser aceites por todos os cidadãos. Sendo assim, o programa do PS, com pontuais adaptações, deverá constituir o cerne do programa do futuro governo e o Partido Socialista o respectivo executor.


9 OUT 2015

COMENTÁRIOS A COMENTÁRIOS PÓS-ELEITORAIS


Se estou bem lembrado, António Costa durante a campanha eleitoral disse que “só se os marcianos invadissem a terra” poderia fazer governo com a coligação de direita, dita PaF ( as palavras não terão sido exactamente aquelas, mas o sentido era o de não fazer ).
Por outro lado nunca disse que não procuraria acordos de governo à esquerda.
Nestas condições, não têm razão aqueles que acusam António Costa de “traição” aos eleitores do PS por dialogar seriamente à esquerda em vez de procurar uma “solução construtiva à direita (?!)”
Se lermos o Expresso de 17 de Outubro de 2015 verifica-se a existência dum coro de colunistas, articulistas e humoristas contra a possibilidade de haver um governo de esquerda e algumas vozes neutrais ou a favor de tal solução governativa.
Embora aceitando que, constitucionalmente, o conjunto da esquerda tem direito a propor um governo, quais são os argumentos dos que estão contra ?
- A  oposição da CDU e do BE à OTAN e aos tratados da zona euro
- a aversão da CDU pela moeda única
- a instabilidade que tal solução governativa prometerá
- a tradição de o partido mais votado, com menor ou maior maioria, formar governo
- o facto histórico de o PS ter sido sempre o inimigo de estimação do PCP (alegadamente por  
  aquele seguir políticas  de direita) e portanto este não ser um parceiro fiável
- o perigo de, em virtude de imposições da extrema esquerda, o défice orçamental ir para alem 
  dos valores acordados com os mandantes da zona euro
- o perigo da bolsa desabar
- o perigo da subida de juros nas próximas compras de dívida externa
- o perigo de os investidores estrangeiros não se interessarem por Portugal
Tudo receios muito respeitáveis, mas que um partido europeísta, embora crítico, como o PS não deixará de esconjurar se vier a formar governo.
Porem, os anti-governo-de-esquerda não manifestaram a mínima preocupação com os portugueses pobres ou mais desfavorecidos economicamente ou com a melhoria do estado social. Opções de classe, diria eu, se fosse marxista. Mas como não sou, direi apenas : preocupações de quem tem um grau de instrução acima da média, que tem rendimentos do seu trabalho acima da média e que tem tempo e oportunidade de pensar noutras coisas que não o como arranjar um emprego, o como chegar ao fim do mês com as despesas pagas, o como aguentar os filhos na escola, o como comprar todos os medicamentos necessários, e , infelizmente para muitos, o como arranjar comida para o dia.
Demagogia ! Gritarão aqueles não concordam ou não gostam de ler o que foi escrito. Era bom que fosse demagogia. Mas na realidade todos sabemos que não é!
Um governo do PS tem obrigação de olhar por todos os portugueses, mas fundamentalmente pelos mais fracos e pelos que mais precisam. É essa a razão de ser dos partidos socialistas europeus : a criação de riqueza e sua redistribuição de forma a que todos tenham direito aos benefícios da civilização .
Um governo chefiado por António Costa traria de imediato, ou seja a partir do próximo orçamento de estado, alívio e melhoria de vida para milhões de concidadãos. E isto não deve ser considerado despiciendo!

F. Fonseca Santos

19 OUT 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

BAIXA DA TSU E EXPANSÃO DA ECONOMIA




No programa do PS para as próximas eleições consta a baixa temporária da TSU dos empregados por um período de 4 anos , seguida da respectiva recuperação progressiva durante 8 anos, com o objectivo de aumentar o consumo interno e em consequência reanimar a economia.

Alguns comentadores políticos e económicos têm exprimido o receio, ou mesmo o terror, de que tal intenção venha a desencadear uma onda de importações que desloque negativamente o frágil equilíbrio da balança comercial com o exterior porque, dizem eles, o que os portugueses pretendem é bens que não se produzem em Portugal, nomeadamente automóveis.

Servindo-me, à falta de elementos mais detalhados, dos gráficos inseridos na pág. 12 do Expresso Económico 29 de Agosto pp, referentes ao 2º T de 2015, calculo que, dum total de 4,335 milhões de pessoas empregadas ( número do Eurostat também para o 2º T 2015 ), cerca 4 milhões recebem um salário inferior a 1800€ , dos quais cerca de 3,2 milhões  menos de 900€ e cerca de meio milhão menos de 419€.                                É difícil considerar que estas pessoas, com um alívio de 2 ou 4% na TSU adquiram capacidade para comprar bens supérfluos.  O mais natural é que reforcem a sua alimentação, que estejam mais à vontade para comprar medicamentos ou o material escolar para os filhos, que se lancem a comprar um electrodoméstico que precisem, que façam alguma reparação na casa onde vivem, que saiam de casa ao domingo para almoçar fora, que vão ao teatro, etc. E isso será simultaneamente satisfação de necessidades e contributo para a expansão da economia.

Devo, no entanto, reconhecer que se as pessoas passarem a ter possibilidade de comprar um televisor, um telemóvel ou outro aparelho electrónico de bolso, ou um automóvel ainda que barato, isso irá contribuir para o aumento das importações. Mas podemos levar a mal essas pretensões ? Só acima de certo nível salarial se pode ter acesso a bens que o progresso pôs à disposição de todos e que não são considerados artigos de luxo?    O que é fundamental é continuar a promover as exportações e ajudar os empreendedores nacionais a colocarem no mercado produtos competitivos com os importados.   

Ou só as pessoas que estão acima de qualquer crise, e portanto que não sofreram com esta, podem ter o direito de comprar o que quiserem sem incorrerem no reprovativo abanar de cabeças  dos comentadores  ?

( A propósito, lembro-me que o primeiro televisor que comprei para minha casa era de fabrico quase todo nacional. Era feito na Standard Eléctrica. Hoje já não se fabricam nem montam televisores em Portugal e portanto acho que regredimos  )
PARAR TERMINAR,  convém lembrar que o programa económico do PS tem de ser visto como um todo DESTINADO A MLHORAR A CONDIÇÃO ECONÓMICA DAS PESSOAS E DO PAÍS e que, em consequência, o resultado das medidas previstas tem se ser analisado globalmente

domingo, 6 de setembro de 2015

EDUCAÇÃO : ESCOLA PÚBLICA OU PRIVADA ?




Um artigo do Sr. Luís Marinho sob o elegantíssimo título  “ A educação deu à Costa” publicado no jornal “Público” de 30 de Agosto de 2015 sobre uma alegada falta de liberdade do povo em geral para escolher um projecto educativo a seu gosto, levou-me a escrever as considerações que se seguem. Não sem dizer primeiro que não sou técnico e muito menos especialista em Educação mas que, na minha vida, comecei por ser educando e depois ao longo da vida fui sempre aprendiz e educador.

1. O Sr. Luís Marinho (daqui em diante referido como LM) cita declarações do Sr. António Costa ( também daqui em diante abreviadamente referido como AC ), (candidato a primeiro-ministro, sic ), mas não refere quando, onde e como foram proferidas, o que desde logo inibe o leitor de confrontar o que AC disse com a interpretação que LM faz das respectivas palavras. Mas é sem dúvida um ataque pessoal e portanto apenas ao visado  compete responder.

2. LM cita o projecto socialista do Parque Escolar qualificando-o de “faraónico”, possivelmente porque os edifício escolares que foram remodelados e ampliados o terem sido duma forma que os deixou com a dignidade, o conforto e o “apetite de lá estar” que a atividade que ali se desenrola, necessita.  (Não sei se foram colocadas torneiras de ouro nas casas de banho, mas penso que não ). E agora pergunto, os edifício escolares, onde se pratica a indispensável educação dos jovens portugueses não merecem ser tratados com o mesmo cuidado que os tribunais, onde se pratica a justiça, ou as estações do Metro de Lisboa que até têm painéis de azulejos signés, ou os estádios de futebol, p.ex.?  É evidente que o dinheiro público deve ser bem aproveitado e gastá-lo com a educação pública é uma boa maneira de o fazer.

3. Sobre o ensino privado e cooperativo a Constituição diz que “é garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas” , nº 4 do Art.43º.                                                                           Sobre o ensino público, o Art.74º da Constituição fixa os deveres do Estado. E entre estes estão os seguintes :                                                                                                                                                                             2.a) Assegurar o ensino básico, universal, obrigatório e gratuito. Em  consequência, nas localidades onde não havia escolas é evidente que o Estado teve de contratar parcerias com escolas privadas ou cooperativas de forma a garantir igualdade de tratamento aos jovens e suas famílias . No s locais onde existem escolas públicas tais parcerias não se justificam, a não ser, eventualmente, nas circunstâncias previstas na Constituição e de que se fala a  seguir.                                                         Art. 74º 2.g) Promover e apoiar o acesso de cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial quando necessário. Logo projectos educativos para estes cidadãos poderão ser apoiados pelo Estado desde que sejam inovadores e não representem duplicação de meios já existentes.                                                                                                                                                     Art.74º 2.h) Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades. Situação idêntica à anterior

4. Voltando ao Art.43º da Constituição ele diz, no seu     nº 3, que “O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Portanto como se pode compreender que o Estado fosse financiar projectos alicerçados numa daquelas directrizes ? Porem outros o poderão fazer, nos termos da lei, mas repito, desde que não sejam financiados por dinheiros públicos.

5. Recentemente, o actual governo modificou a lei permitindo acordos de financiamento a escolas particulares, mesmo que tal não seja necessário para assegurar a educação pública universalmente. Trata-se antes de mais nada de permitir negócios privados que nem sequer vão diminuir o desemprego na classe dos professores pois o número de crianças e jovens em idade escolar não depende da legislação. Nem me parece que isso seja uma falta de liberdade de escolha indispensável à garantia de igualdade de oportunidades que todos devem dispor à partida. Mais importante será garantir que todas as crianças tenham acesso a um pré-escolar gratuito e de qualidade conforme o nº2.b) do Art.74º

6. Todos aqueles que estão preocupados com a qualidade do ensino ( entre o quais incluo LM ) deveriam sobretudo preocupar-se com os meios que o Ministério da Educação põe ( ou não põe ) ao serviço da causa, nomeadamente professores, funcionários administrativos, auxiliares de educação, médicos, psicólogos, assistentes sociais e não com a preocupação de criar escolas paralelas entregues a privados. É fundamental assegurar condições para que as escolas inseridas em meios cultural e economicamente desfavorecidos possam realizar o trabalho de integrar todos os jovens na comunidade escolar sem que a falta de alimentação, de cultura ou de estabilidade domésticas sejam motivos para desistência ou desinteresse pelos estudos.

7. LM faz uma referência ao Colégio Moderno classificando-o de elitista. Não sei bem o que quis dizer. Mas acrescento uma recordação pessoal. No tempo do “outro senhor”, aí por volta de 1949 ou 1950, andava eu no 3º ou 4º ano do liceu, quando tivemos conhecimento de que um colega nosso tinha dificuldades familiares, precisava de mais acompanhamento e que ia para o Colégio Moderno. Mais tarde um professor, que não se coibia de se afirmar publicamente republicano, deixou escapar que o pai do nosso colega era comunista e tinha sido preso pela polícia política. Foi a primeira vez que ouvi falar no Colégio Moderno e só bastante depois soube que o colégio pertencia à família Soares.

domingo, 30 de agosto de 2015

SOBRE NOVOS INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS EM PORTUGAL




No seu artigo de 22 de Agosto de 21015 no Expresso Económico, o jornalista e  Director-Adjunto Sr. Nicolau Santos faz referência a numerosos e recentes investimentos estrangeiros na área das PME, afirmando que, neste aspecto, as coisas estavam a mudar.

Após ler o artigo, senti um misto de satisfação, de inquietação e de perplexidade

De satisfação por verificar que existem pessoas ( individuais ou colectivas ) que, ao criarem empresas em Portugal, diminuem o desemprego e assim podem retirar de dificuldades, ou mesmo do desespero, numerosos portugueses.

De inquietação porque, a menos que as respectivas produções se destinem à exportação ou a substituir importações, o saldo final no que respeita às entradas e saídas de dinheiro acaba por ser negativo para o país, pois os lucros e a amortização  do investimento serão certamente exportados – e Portugal vai empobrecer.

De perplexidade, por não perceber porque razão, sendo os investimentos sedutores, não são feitos por capitalistas indígenas aproveitando oportunidades de fazerem bem a si próprios e ao próximo. Mais valeria isso do que ter os capitais a vagabundear por fundos de investimento mais ou menos inseguros – isto penso eu, que felizmente não sou economista nem jogador, mas também não tenho raiva a quem o seja .

Também poderão desvalorizar as minhas objecções, dizendo : i) vivemos numa economia alegadamente global e se existem investimentos portugueses no estrangeiro a repatriar lucros,  temos aceitar o inverso; ou ii) mesmo que os lucros dos investi- mentos estrangeiros sejam exportados, mais vale isso do que o estado compensar os desempregados com prestações sociais, que saem do erário público.

Ao argumento i) responderei que o ideal seria que o repatriamento fosse equivalente ao expatriamento de lucros – mas, infelizmente, estou convencido que Portugal fica a perder.

Ao argumento ii) direi que, do ponto de vista da auto-estima das pessoas, assim é, mas do ponto de vista do equilíbrio das contas públicas, os economistas talvez achem que mais vale pagar subsídios sociais pois o dinheiro continua a circular no país, não sendo portanto exportado.

CONCLUSÃO DESGOSTOSA : Parece que os estrangeiros acreditam mais na nossa economia que os portugueses.

 

F. Fonseca Santos

29 AGO 2015

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

LIMITE MÁXIMO NOS DESCONTOS PARA A REFORMA


LIMITE MÁXIMO NOS DESCONTOS PARA A REFORMA

 

É um assunto que vem a ser debatido há muitos anos.

Em geral, a direita neoliberal tende a querer estabelecer um limite máximo nos des- contos dos trabalhadores para a reforma ( e até introduziram o inútil neologismo de plafonamento, do francês “plafonnement”)  e a esquerda e o centro-esquerda preten- dem que os descontos se continuem a fazer sobre a totalidade dos vencimentos.

Os argumentos dos neoliberais giram à volta de: i) no futuro devido ao aumento da esperança de vida e à tendência para a redução da população activa, a segurança social (SS) vai ter dificuldade em pagar as pensões baixas quanto mais as altas; ii) os trabalhadores que auferem vencimentos elevados, e desejam ter pensões correspon- dentes na reforma, devem ter a liberdade de poder completar a pensão que venham a receber da SS com créditos oriundos de planos-poupança-reforma (PPR) a contratar com empresas privadas.                                                                                                              As razões da esquerda e do centro-esquerda têm a ver com a desejável universalidade do sistema, ou seja, todos descontam uma taxa sobre o seu vencimento e, na reforma, todos recebem uma pensão de acordo com as regras de cálculo aprovadas por lei, con-  siderando os quantitativos descontados e os anos de desconto. Nenhum trabalhador  deve ficar de fora.

O sistema, agradável aos neoliberais, de estabelecer um limite máximo aos descontos para a reforma só é favorável para os que auferem salários acima dum determinado valor, pois esses têm disponibilidades para investir num PPR.  ( É claro que também é favorável para as empresas privadas que oferecem PPR).    Por outro lado, a obrigato- riedade duma TSU impede que o trabalhador tenha a tentação de pensar “ ainda sou muito novo, vou fazer ou gastar o que quero agora e mais tarde penso na reforma”. E nessa altura pode ser tarde.

Não tenho conhecimentos para poder afirmar se o dinheiro que é descontado através da TSU originaria melhor ou pior pensão de reforma se fosse aplicado em PPR em vez de ser usado pelo sistema distributivo da SS. Mas não é possível ignorar que para chegar a resultados comparáveis, os actuários têm de partir de pressupostos e consi-derar evoluções económicas e demográficas ao longo dos anos que são naturalmente falíveis. Portanto preferir um sistema ou outro é uma questão de fé ou de ideologia.

 ( Ainda não é possível ao Homem prever o futuro ! )

Também podemos considerar que um fundo de investimentos para pensões pode mais facilmente falir que um estado, ou, mais prudentemente, podemos dizer que é mais provável um fundo falir que um estado, e portanto dar preferência à Segurança Social pública é mais seguro.  Provavelmente alguém me contestará dizendo que, no caso dos fundos de investimento, o capital das pessoas está garantido. Está garantido ? Mas por quem? Por um fundo especial de garantia constituído pelos fundos de investimento actuando num país ou num espaço económico ? Ou pelo estado que, no caso da falência duma dessas entidades assegura o pagamento das pensões usando o dinheiro dos impostos de todos os contribuintes ? Estas dúvidas não devem ser desprezadas. 

Quanto à sustentabilidade do sistema público de pensões, se as contribuições dos trabalhadores e das empresas, a partir dum dado momento deixarem de ser suficientes para as pensões em pagamento há que arranjar alternativas de financiamento. O programa eleitoral do PS indica algumas. As quais ( que não vou repetir aqui ) podem ser ampliadas, p. ex. aumentando as taxas de IRS para os rendimentos mais elevados, tornando o projectado imposto sobre heranças progressivo, taxando mais amplamente o capital.
 Lá vem o aumento de impostos, dirão. De facto, mas nada que não tinha já feito em países tão liberais, economicamente falando, como o Reino Unido e os Estados Unidos : nas décadas entre 1940 e 1980, a taxa sobre a parte dos rendimentos superior a um valor fixado variou entre 70 e mais de 90% !! ( ver livro de T. Piketty “ O Capital no século XXI). Com a chegada ao poder dos conservadores M. Thatcher e R. Reagan (antíteses do lendário Robin dos Bosques ) as taxas acima referidas baixaram para valores entre 30 e 40% .

Voltando à possibilidade de estabelecer um limite máximo no desconto da TSU, esta hipótese, expressa no programa eleitoral do PSD+CDS, tem uma grande dificuldade prática : como compensar a baixa de recebimentos da SS se o número de trabalhadores a optar pela redução do desconto fôr muito elevado ? Não podendo as pensões em pagamento ser reduzidas, por determinação do Tribunal Constitucional, que soluções adoptaria um governo que pensasse em tal? A resposta não existe no programa da coligação!

Conclusão : No que respeita ao assunto das pensões de reforma, escolher a coligação é avançar no escuro – e de olhos vendados!


 Lisboa, 12 de Agosto de 2015

 

F. Fonseca Santos

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

NOS TEMPOS QUE CORREM


 

Nos tempos que correm, e à beira de eleições gerais, não consigo andar despreocupado.

 Preocupa-me a possibilidade de o actual 1ºM voltar a ganhar as eleições, preocupam-me as correntes de opinião sobre as pessoas e o dinheiro que predominam na União Europeia, preocupa-me que o estado social, criado laboriosamente após a 2ª guerra mundial ( e em Portugal depois do 25 de Abril ) esteja em risco soçobrar porque dizem “que não há dinheiro”.

Como já escrevi, considero o estado social, nas suas facetas de educação pública, serviço nacional de saúde, protecção social nas adversidades da vida, reforma na velhice, uma das grandes conquistas da civilização, comparável à abolição da pena de morte, à igualdade perante a lei, à igualdade de géneros, ao direito à presunção de inocência até provas em contrário ( conquista muito superior ao domínio da energia atómica, p.ex. ).

Pensar que este grande passo em frente dos europeus ( e futuramente, assim espero, de todo o mundo ) possa estar em causa com o argumento de “não haver dinheiro” revolta-me profun - damente. Porque na realidade não se trata de “não haver dinheiro”, mas de não querer cobrar impostos adequados a quem pode pagar muito mais do que paga, de não querer taxar devidamente actividades especulativas que não contribuem para nada de útil, de ter medo de taxar devidamente o capital, de aceitar a fuga aos impostos através de off-shores opacos

E isto acontece porque quem governa ou faz leis está muito acima dos problemas de quem vive com o salário mínimo ou mesmo com um salário médio e, ou não os conhece (os problemas) , ou já se esqueceu de como eram, ou olha para o lado para não ver, ou, na pior das hipóteses, quer favorecer deliberadamente quem já tem muito (dinheiro).

É por isso que eu, na medida das minhas possibilidades vou lutar para que a coligação de direita saia derrotada a 4 de outubro.

Que posso fazer? Pouco, pois sou um cidadão anónimo, sem acesso aos meios de comunicação social. Mas posso tomar conhecimento dos programas eleitorais, para poder argumentar com  amigos e conhecidos, para escrever no meu blog, usar o face-book

 
3 AGO 2015